Eu… e os mistérios da noite

MEDO
A noite nunca foi do meu agrado, sempre me inspirou um pouco de medo.
A noite mergulha-nos num silêncio forçado. Sempre vivi com a alma em mistério, em silêncio, o silêncio acalma-me e faz-me reflectir, encontrar um caminho e desvendar os olhos. Sim, gosto do silêncio, mas do meu silêncio, e não do que a noite me impõe. A noite traz os receios, e obriga-me a pensar em coisas más, para mim a noite mostra desencorajamento. Na noite sinto-me desprotegida, e sim, é na noite que mais sinto a solidão. Na noite sou vulnerável, tocável, dispo-me da corajem e fico nua de mistérios, porque a noite me mostra fracassos, me mostra a solidão mais sentida. No escuro, como se com os olhos vendados, numa
cama imóvel, mergulhada num silêncio que não é meu, sem nada puder fazer, sinto-me longe, isolada do mundo, e parece que a noite me confronto com os piores medos, me mostra o futuro como um fracasso e o passado como algo distante mas muito mais sentido do que na luz de um dia. A noite faz-me chorar, com medo de não sei o quê, a noite faz-me reflectir sobre o que não quero, faz-me ver situações que não desejo.




